25 de Maio de 2010
Manifesto Agroecológico em São Miguel do Oeste
Osmais de 2000, agricultores e agricultoras, estudantes, professores, agentes públicos, pesquisadores técnicos, extensionistas, movimentos sociais e organizações afins, moradores do campo e da cidade, oriundos de diversas regiões de Santa Catarina, de outros estados e países vizinhos, reunidos no V Seminário Estadual de Agroecologia com o tema “Agroecologia: campoe cidade com vida saudável”, nos dias 20 e 21 de Maio de 2010, no município de São Miguel do Oeste/SC, nos dirigimos a toda a sociedade catarinense e brasileira, para manifestar o que segue:
1. Denunciamos e repudiamos com veemência as práticas e políticas que apóiam a produção agroquímica e transgênica, visto que estas comprovadamente contaminam e matam pessoas e as mais variadas formas de vida, eliminam a biodiversidade nativa e as sementes crioulas, contaminam a água, animais, plantas e alimentos. O modelo baseado na agroquímica, rouba dos agricultores a autonomia, a soberania alimentar dos povos, concentra terras e riquezas, provoca fome e êxodo rural, destrói e desvaloriza os conhecimentos e a cultura popular, causa desequilibro ambiental e provoca mudanças climáticas drásticas e muitas vezes irreversíveis. Os seus impactos ameaçam e comprometem o futuro da humanidade!
2. Anunciamos e apoiamos todas as iniciativas, as práticas, e políticas que objetivam promover a agroecologia enquanto paradigama, que conduzem ao desenvolvimento social e humano com respeito à vida,, á biodiversidade, à cultura, ao equilíbrio do meio ambiente, à saúde e a soberania alimentar dos povos, e a solidariedade entre as pessoas. A agroecologia aproxima e une a gente do campo e da cidade entorno de um objetivo comum: Promover vida saudável na plenitude das dimensões humanas. Pois entendemos que produzir e consumir alimentos agroecológicos é um ato de amor à vida.
Através dos painéis, oficinas temáticas, feira de saberes e sabores agroecológicos, depoimentos, trocas de experiências, sentimentos e conhecimentos, integração e compromissos assumidos mutuamente, reafirmamos uma vez mais a nossa crença de que construir um ambiente melhor para toda a coletividade humana é possível e necessário. Homens e mulheres conscientes são as bases deste novo mundo que queremos e vamos construir.
Imbuídos deste espírito de compromisso, responsabilidade e amor a vida propomos:
•Linhas de crédito com maior subsídio no período de transição agroecológica;
•Criação de centros de referência em agroecologia nas diversas regiões de Santa Catarina;
•Adotar a merenda agroecológica na rede estadual e municipais de ensino e outras instituições públicas, estimulando o chamado mercado institucional para produtos agroecológicos;
•Investimento contínuo do estado em pesquisa e extensão em agroecologia;
•Implementação de políticas de estímulo à comercialização direta de produtos agroecológicos como as feiras livres, em todos os municípios de Santa Catarina;
•Isenção de impostos para alimentos e produtos agroecológicos;
•Implementação de política pública de incentivo a eventos de formação, troca de experiências e articulação em agroecologia, com recursos previstos no orçamento e acesso desburocratizado;
•Aumento de impostos sobre alimentos que causam danos comprovados à saúde humana;
•Investimento público em iniciativas e projetos populares de conservação da biodiversidade, das sementes crioulas e dos biomas naturais nas diferentes regiões do estado.
•Limitar o financiamento público em insumos químicos para a agricultura familiar e camponesa;
•Incluir nos projetos político-pedagógficos e curriculuns escolares, princípios, disciplinas e conceitos da agroecologia.
•Tendo em vista a continuidade deste importante evento, para integrar o povo deste estado sugerimos que o próxima edição do Seminário Estadual de Agreocologia seja realizado no litoral catarinense, na região norte ou sul do estado de Santa Catarina.
São Miguel do Oeste, 21 de maio de 2010.
PRODUZIR E CONSTRUIR PARA COM SAÚDE CONSUMIR
Alimento saudável é fonte recomendável,
Para ter vida em abundância,
Desde antes da infância,
Que é de coletiva competência
Reeducar com sã inteligência,
Quem o alimento produz e consome,
Para nutrir, e não apenas, saciar a fome!
Produzir um saudável alimento,
È evitar muita doença e sofrimento,
Por respeitar a sábia e fiel natureza,
Deixando o solo vivo com toda a sua defesa,
Diversificando espécies vegetais,
Equilibrando nutrientes minerais,
Para que humanos e animais
Obtenham, fontes reguladoras,
e de plantas ter, as vitaminas protetoras,
consumidas ao natural,
reassumindo antigo saber cultural,
Preparando as refeições completas,
Com todos os nutrientes, repletas!
Eis um dever como um direito;
Produzir e consumir com respeito,
Alimento saudável no campo e na cidade,
Defender a saúde e a biodiversidade,
Pelo auto-sustento nutricional familiar,
Avançando pelo país a soberania alimentar.
Pela agricultura Camponesa ecológica,
Mulheres (e famílias) partilham, sua prática tecnológica,
Quando em grupos na base se ORGANIZAM,
Saberes, sementes e mudas socializam;
Isto mulheres e homens compreendem;
Repartem tarefas com igualdade e aprendem;
Que direitos, saúde, sabedoria e a renda;
Não se comprar e não se coloca à venda!
Potencializar troca de saberes e sabores,
Eleva a consciência de produtores e consumidores,
Capacita cultural e socialmente,
Amplia são horizontes ambientalmente!
Organizadas em campanhas nas bases,
Favorece o avanço no debate em todas as fases,
De um Projeto de Agricultura Camponesa,
Que valoriza, preserva, e se ocupa com a natureza!
Enfrentar o agro-negócio, o projeto capitalista,
É missão ética e cultural feminista,
De toda a Camponesa de Vida Geradora,
Pelo Princípio da solidariedade promotora,
Constrói um projeto popular, camponês LIBERTO,
Mantendo conquistas, pelo MOVIMENTO sempre ALERTO!
Tunápolis, 08 de abril de 2007.
MARIA HELENA KIRCHNER
SECRETÁRIA DE DIVULGAÇÃO/MMC/SC DA REGIONAL DE SMO E DE TUNÁPOLIS.