01 de Dezembro de 2009
Bispo Dom Manoel realiza visita ad limina. Leia a carta
Desde o dia 26 de novembro encontro-me em Roma. Vou permanecer aqui, até 15 de dezembro. Juntamente com os bispos do Rio Grande do Sul e os demais bispos de Santa Catarina estou participando da visita ad limina.
O Código de Direito Canônico determina que, de cinco em cinco anos, o bispo diocesano apresente ao Papa um relatório sobre a situação da diocese que lhe está confiada. Determina também que, no ano em que apresenta o relatório, a não ser que esteja legitimamente impedido, o bispo vá pessoalmente a Roma a fim de venerar os sepulcros dos Apóstolos Pedro e Paulo e apresentar-se ao Romano Pontífice (Cânones 399 e 400).
Limina é uma palavra da língua latina. Significa o umbral da porta, o limite, a passagem e, por extensão, o sepulcro, porta através da qual se passa para a eternidade. Um dos objetivos da visita é venerar os sepulcros dos Apóstolos São Pedro e São Paulo. Daí o nome: visita ad limina apostolorum ou simplesmente visita ad limina.
Visitas de bispos ao Papa é uma prática muito antiga. Tem sua origem na Bíblia. Em certa oportunidade Jesus falou a São Pedro: “Simão, Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 31-32). São Paulo fez questão de ir duas vezes a Jerusalém encontrar-se com São Pedro e os demais líderes da Igreja para expor-lhes o evangelho que pregara e estava pregando, e a fim de assegurar-se de que não correra nem estava correndo em vão (cf. Gl 1,18; 2,1-2; 2,9).
Desde o século IV existem documentos que provam a prática de visitas de bispos ao Papa. Conversavam a respeito de suas Igrejas particulares, dirimiam algumas dúvidas e, a exemplo de São Paulo, confirmavam sua pregação.
A visita compõe-se de três grandes momentos, cada um deles com seu significado próprio: 1) as celebrações nas quatro grandes basílicas (São Pedro, São Paulo, São João de Latrão e Santa Maria Maior); 2) os encontros coletivos e individuais com o Papa (Missa em sua capela particular, duas audiências; uma coletiva e outra pessoal; No tempo de João Paulo II, o Papa também oferecia um almoço em sua residência); 3) as reuniões com os colaboradores do Papa, encarregados dos diversos organismos da Igreja. Estas reuniões acontecem de manhã e de tarde. É a parte que ocupa mais tempo.
Sobre o sentido desta visita, assim se expressa o Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos: “A visita constitui um momento importante para a vida da Igreja particular, a qual, por meio do próprio representante, consolida os vínculos de fé, de comunhão e de disciplina que a ligam à Igreja de Roma e ao inteiro corpo eclesial”.
Além de pastor de sua Igreja particular, enquanto membro do colégio episcopal e sucessor legítimo dos Apóstolos, o bispo é também responsável por toda a Igreja. Por isso, além de prestar contas e receber oportunos conselhos, o bispo aproveita a oportunidade da visita para trocar idéias com o Papa e seus colaboradores, fazendo-lhes propostas a respeito de questões relacionadas à missão da Igreja. Segundo João Paulo II, está aqui uma das formas de exercício da colegialidade episcopal. Através dela “se constitui a unidade na diversidade, gerando uma espécie de intercompenetração entre a Igreja universal e as Igrejas particulares, que se pode comparar ao movimento do sangue que parte do coração para as extremidades do corpo, e destas, volta ao coração”.
Nestes dias, daqui de Roma, tenho rezado muito intensamente pela nossa Igreja diocesana e por todos nós, seus fiéis. Peço a vocês, leitores, que não se esqueçam de, em suas preces, também pedirem pelo bom êxito desta minha viagem.